georgtrakl's Diaryland Diary

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Musa da noite (77)

Na janela em flores voltam a sombra do campanário
E ouro. A fronte em chamas se apaga em quietude e silêncio.
Um fonte escolhe no escuro dos castanheiros -
Você sente então: como é bom! em doloroso cansaço.

O mercado se esvazia dos frutos do verão, das guirlandas.
O escuro esplendor das fachadas nos acalma.
Em um jardim ressoam os acordes de um jogo tenro,
Onde amigos, depois da refeição, se encontram.

A alma escuta com prazer os cantos do mágico branco.
Ao redor sibila o trigo que os ceifeiros cortaram no meio-dia.
Paciente, a rude vida se cala nos barracos;
O lampião do estábulo ilumina o doce sono sono das vacas.

Bêbadas de brisa, se abaixam logo as pálpebras
Que se abrem baixinho diante dos signos estelares desconhecidos.
Endymion surge doescuro de velhos carvalhos
E se inclina sobre águas enlutadas.

9:53 p.m. - 2009-08-30

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A noite da tempestade (75)

Oh, as horas rubras da noite!
Flamejante, a videira louca na janela
Se balança trançada no azul
Onde se aninham os espectros de angústia.

Poeira dança nos esgotos fétidos.
O vento estala sobre os vidros.
Cavalos selvagens, as nuvens cegantes
São perseguidas com fúria pelos relâmpagos.

O espelho do lago estoura.
As gaivotas ganem nos caixilhos das janelas.
O cavaleiro de fogo, saltando da colina,
Se esboroa em chamas nos pinheiros.

No hospital gritam os doentes.
Azul, sopra a plumagem da noite.
Resplandescente, subitamente cai
A chuva sobre os telhados.

9:30 p.m. - 2009-08-30

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